Por que três orçamentos de site variam dez vezes de preço
Não é que dois estejam errados. É que os três estão cotando coisas diferentes com o mesmo nome.
Você pede orçamento de site para três fornecedores e recebe R$ 1.800, R$ 14.000 e R$ 60.000.
A reação natural é achar que dois deles estão errados. Quase sempre não estão: os três estão cotando coisas diferentes com o mesmo nome. "Site" é uma palavra que cobre desde um template trocado de cor até uma plataforma com integração, área logada e SEO técnico — e nenhum dos três orçamentos costuma dizer com clareza de qual se trata.
Este texto não te dá uma tabela de preços. Ele te dá as perguntas que fazem os três orçamentos ficarem comparáveis — e, quase sempre, revelam que o mais barato não era o mais barato.
O que realmente move o preço
Cinco variáveis explicam a maior parte da diferença entre uma proposta e outra.
1. Quem escreve o conteúdo
É a variável mais subestimada e a que mais atrasa projeto. Muita proposta barata assume, numa linha escondida no meio do documento, que o cliente entrega todos os textos e imagens prontos.
Aí o projeto trava. O site fica pronto em três semanas e vai ao ar seis meses depois, porque ninguém na empresa tinha tempo de escrever a página de serviços. Texto de site não é redação: é decidir o que a empresa promete, para quem, e com que palavras. É trabalho de posicionamento disfarçado de digitação.
Pergunte explicitamente: o conteúdo está no escopo? Se não estiver, o orçamento não está completo — falta o seu tempo, que também custa.
2. Template ou projeto próprio
Um tema pronto personalizado com as cores e a logo da empresa é uma opção legítima, entrega rápido e custa pouco. O que você abre mão é de diferenciação e, frequentemente, de performance: temas genéricos carregam recursos que seu site não usa e que pesam no carregamento.
Design próprio custa mais e faz sentido quando o site é canal comercial de verdade, não cartão de visita. A pergunta que resolve: esse site precisa converter ou precisa existir? Se a resposta é converter, template raramente é a escolha certa.
3. Quem vai atualizar depois
Site que só o fornecedor consegue mexer vira refém. Toda alteração de preço, todo texto novo, toda notícia vira um chamado, um prazo e uma cobrança.
Pergunte quem edita o quê depois da entrega, e peça para ver o painel antes de assinar. Se a resposta for "manda pra gente que a gente altera", pergunte quanto custa e em quanto tempo. Essa conta, ao longo de dois anos, costuma superar a diferença entre a proposta cara e a barata.
4. Se SEO técnico está incluído
Aqui mora a diferença mais cara e a menos visível.
Um site pode ficar lindo e ser invisível para o Google. As coisas que decidem isso não aparecem na tela: estrutura de títulos, uma URL própria e descritiva para cada assunto, título e descrição únicos por página, dados estruturados, sitemap, canonical, velocidade de carregamento, comportamento em celular.
Um site institucional de página única, com todo o conteúdo em uma só URL, disputa uma única posição no Google — não importa quantas seções ele tenha. O mesmo conteúdo distribuído em páginas próprias por tema disputa dezenas.
Pergunte: isso está incluído ou é serviço à parte? Muita proposta barata entrega um site que só vai receber visita se você pagar por anúncio para sempre.
5. O que acontece depois do "no ar"
Hospedagem, domínio, certificado, backup, atualização de segurança, monitoramento de indisponibilidade. Cada item desses tem custo recorrente, e a diferença entre propostas costuma estar em quantos deles estão inclusos e por quanto tempo.
Peça o custo mensal depois da entrega, separado do valor do projeto. Uma proposta sem essa linha está incompleta.
As cinco perguntas que tornam qualquer orçamento comparável
Mande estas cinco para os três fornecedores, por escrito. As respostas vão explicar sozinhas a diferença de preço:
- O conteúdo — textos e imagens — está incluído, ou eu entrego pronto?
- É template ou layout desenhado para nós? Posso ver outros projetos feitos do mesmo jeito?
- O que eu consigo editar sozinho depois? E o que custa quando eu não consigo?
- Quantas páginas indexáveis o site vai ter, e o que exatamente de SEO técnico está incluso?
- Qual é o custo mensal depois de entregue, e o que ele cobre?
Uma sexta, que quase ninguém faz e que evita muita dor: de quem é o código, o domínio e as contas de hospedagem e analytics? Domínio registrado no CNPJ do fornecedor é um problema que só aparece no dia em que você quer trocar de fornecedor.
Site, landing page e portal não são a mesma coisa
Parte da confusão de preço vem de chamar três coisas pelo mesmo nome.
Landing page é uma página só, com um objetivo único: capturar um contato ou vender um item. Existe para receber tráfego pago. É o escopo mais barato e o mais fácil de medir — se ela converte ou não, você sabe em uma semana.
Site institucional é o conjunto de páginas que explica quem é a empresa, o que ela faz e por quê. Existe para ser encontrado e para dar credibilidade. É onde o SEO técnico faz diferença, porque cada página é uma porta de entrada diferente.
Portal ou plataforma tem área logada, perfis de usuário, integrações com outros sistemas, às vezes pagamento. Não é um site maior: é software, e o preço reflete isso.
Boa parte dos orçamentos discrepantes que você recebeu está simplesmente cotando categorias diferentes.
O erro mais caro
Não é escolher o fornecedor errado. É escolher o escopo errado.
Empresas gastam quarenta mil num site institucional bonito quando o que precisavam era uma landing page e verba de tráfego. E empresas gastam mil e oitocentos num template quando o site é o canal principal de aquisição e cada ponto de conversão vale dezenas de milhares por ano.
A pergunta que antecede o orçamento é: qual é o trabalho que esse site precisa fazer? Trazer gente do Google? Converter o tráfego pago que já roda? Dar credibilidade numa venda que acontece por indicação? Substituir uma operação manual?
Cada resposta leva a um escopo diferente, e comparar preço antes de responder isso é comparar coisas que não se comparam.
Como a Sharpfy trabalha isso
A gente começa por essa pergunta, não pelo layout. Uma conversa de trinta minutos para entender o que o site precisa resolver, e só depois uma proposta com escopo, prazo e investimento fechados — para você comparar com as outras sabendo exatamente o que está dentro.
E quando o projeto envolve ser encontrado, não paramos no site: SEO e posicionamento orgânico, gestão de tráfego pago, integrações com os sistemas que a empresa já usa. Está tudo em projetos sob medida.
O resumo
Preço de site varia porque escopo de site varia. Antes de comparar propostas, defina o trabalho que o site precisa fazer. Depois faça as cinco perguntas acima por escrito.
Se um fornecedor não responder as cinco com clareza, você já tem sua resposta — e ela não tem a ver com preço.